Presidente da AMTR participa de Simpósio Brasileiro sobre Acesso ao Patrimônio Genético e Conhecimento Tradicional no RJ

O protagonismo das quebradeiras de coco babaçu da região Médio Mearim do Estado do Maranhão foi destaque no I Simpósio Brasileiro de Acesso ao Patrimônio Genético e Conhecimento Tradicional Associado: interfaces entre comunidades, academia, empresas e governo, que contou com a participação da quebradeira de coco babaçu e presidente da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do Junco e Lago dos Rodrigues-MA (AMTR), Maria das Dores Vieira Lima, a Dora.

O evento ocorreu entre os dias 05 a 07 de novembro de 2019, na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ e no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, no Rio de Janeiro, capital. Também participou do evento, o gestor da Associação em Áreas de Assentamentos no Estado do Maranhão (Assema), Valdener Miranda.

A presidente da AMTR participou da mesa com o título: “Academia, Empresa e Comunidade: é possível caminhar juntos?”, ao lado de professores da UFRJ, da Universidade de Brasília e de representantes da empresa L’Oréal e do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

Durante o encontro, Dora falou a uma planeia de acadêmicos, representantes de empresas e de comunidades tradicionais sobre “Repartição de Benefícios, Conservação da Biodiversidade Brasileira, o Coco Babaçu e as Quebradeiras.

“Nosso babaçu, para nós é uma grande riqueza. É tudo em nossa vida. Somos irmãos pelo leite do babaçu porque foi, a partir dele, que criamos toda a família e construímos nossas casas”, explicou Dora, ressaltando que a palmeira é utilizada da raiz à folha. “Dela retiramos a amêndoa e da casca faz-se o carvão e o artesanato. Da amêndoa retiramos o óleo e o azeite. O óleo é usado na alimentação e na indústria de cosmético. Temos esta convivência com o babaçu, principalmente, nós mulheres porque sentimos como se a palmeira fosse a nossa mãe. É do babaçu que temos a sensibilidade de conviver com a natureza. Por isso, lutamos pela Lei do Babaçu Livre, para que possamos ter a conservação dos nossos babaçuais”, disse Dora, durante sua explanação. Do babaçu também é extraído o mesocarpo, com qual se faz uma farinha utilizada na culinária e também na indústria de cosmético.

O I Simpósio Brasileiro de Acesso ao Patrimônio Genético e Conhecimento Tradicional Associado teve como objetivo a interação produtiva entre diferentes setores da sociedade civil (academia, comunidades, empresas e instituições do terceiro setor), bem como o Governo Federal, para melhor aproveitamento da biodiversidade brasileira, gerando riqueza e sustentabilidade. O evento abordou também a temática sobre a proteção dos conhecimentos tradicionais e o sistema brasileiro de repartição de benefícios, por meio de uma oficina realizada no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro com representantes de povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, e parceiros que atuam junto a estes segmentos na implementação da Lei 13.123/2015. As discussões envolveram questões como o comércio e a propagação do uso popular e tradicional de plantas medicinais e produtos fitoterápicos, as  perspectivas dos detentores de CTA sobre o comércio justo e a repartição de benefícios.

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